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Os desafios da indústria farmacêutica para implementação das práticas ESG

O setor da Saúde tem um compromisso intrínseco com a preservação da vida, e isso passa, cada vez mais, pelo ESG (Environmental, Social e Governance). Este conceito tem como pilares a proteção do meio ambiente, das pessoas e da sociedade, mas também passa por questões éticas das organizações. É nesse contexto que se insere a indústria farmacêutica, cada vez mais compelida a integrar as práticas de ESG em seu modelo de negócios.

Alguns desses caminhos são comuns ao setor industrial e visam atender às demandas dos consumidores e às exigências regulatórias, tais como a necessidade de diminuir a dependência de recursos naturais e desenvolver processos circulares, além da busca por mais eficiência energética e redução das emissões com o uso de fontes renováveis.

Outros, contudo, são específicos do setor e estão relacionados à saúde pública, ética e preocupação de que a pesquisa e o desenvolvimento de medicamentos novos ou mais eficientes não podem ser realizados a qualquer custo. Sob o aspecto da saúde pública, o planejamento estratégico de uma política ESG não pode prescindir a qualquer intervenção que envolva a produção de medicamentos e deve levar em consideração a segurança e a qualidade do produto final. Isso abrange tanto o processo produtivo propriamente dito quanto toda a cadeia de suprimentos da indústria farmacêutica.

No campo da ética, o setor farmacêutico, que frequentemente é criticado pela promoção excessiva do uso de medicamentos por meio de propagandas ou por influenciar estudos clínicos, deve adotar práticas de marketing responsável. A transparência e a ética são fundamentais para a confiança do público -- órgãos reguladores, médicos e pacientes. Isto requer a definição de políticas de governança e a adoção de boas práticas no apoio à realização de estudos clínicos e também na definição de estratégias de marketing, para que o foco seja em informações objetivas e precisas sobre os produtos e serviços, sem exagerar ou prometer resultados.

Ainda sob o aspecto de governança, a transparência desempenha um papel fundamental na construção da reputação corporativa. Como a produção de medicamentos envolve o manuseio de substâncias químicas e outras matérias-primas potencialmente perigosas, é preciso estabelecer políticas de conformidade e assegurar que todos os envolvidos, em qualquer etapa da cadeia produtiva, interna ou externamente, cumpram essas regras. Esse controle, monitoramento e auditoria são imprescindíveis para garantir a conformidade com as leis e regulamentos e, principalmente, a segurança do produto para os pacientes.

No âmbito do desenvolvimento de medicamentos novos e mais eficientes, a indústria farmacêutica precisa lidar com questões já conhecidas, incluindo regulamentações cada vez mais restritivas, aspectos clínicos, efeitos biológicos, eficácia e segurança, concorrência, confidencialidade e tempo. Combinadas, tais questões acarretam custos extremamente elevados.

Contudo, isso não pode ser utilizado como argumento para que aspectos relacionados aos impactos socioambientais sejam colocados em segundo plano. Ao contrário, até porque os riscos e prejuízos financeiros podem ser ainda maiores do que o investimento necessário para evitá-los. E o impacto à imagem corporativa pode ser incalculável.

Governos e a sociedade têm sido cada vez mais atuantes na fiscalização das empresas e os investidores têm colocado os aspectos de ESG em suas decisões de investimentos. Além disso, a indústria deve adotar práticas de responsabilidade social, como por exemplo, doações para entidades de caridade.

Por fim, a indústria farmacêutica precisa adotar práticas de governança responsável para que as decisões estratégicas sejam tomadas de forma transparente. Isso inclui estabelecer políticas de conformidade e garantir que todos os envolvidos na empresa cumpram essas regras. Além disso, é fundamental adotar práticas de auditoria eficazes para garantir a conformidade com as leis e os regulamentos aplicáveis.

A adoção das práticas ESG pode ser desafiadora, mas, sem dúvida, a definição de políticas claras, abrangentes e mensuráveis trará benefícios importantes para a indústria farmacêutica, inclusive no que tange à sustentabilidade.

Juliana Alves é gestora da área Trabalhista do Martinelli Advogados no Rio de Janeiro
 












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