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Falta de regras e desconhecimento médico podem trazer prejuízos graves à saúde dos consumidores de cigarro eletrônico no país

Com mais de 2 milhões de usuários, o consumo do cigarro eletrônico cresce no país em meio à falta de regras e do desconhecimento da sociedade médica, em geral, sobre os efeitos da toxicidade nas diferentes formas de entregas de nicotina.
 
Diante desse cenário para a saúde pública, especialistas da saúde promoveram o 1º Simpósio Brasileiro Multidisciplinar de gestão de danos: Educação e Controle (SBGMD), em novembro , no Guarujá, na Baixada Santista.
 
O encontro contou com a presença de seis palestrantes, sob a mediação do médico cirurgião geral e oncológico Edgard Mesquita Rodrigues Lima.
 
Para o pneumologista Rodolfo Fred Behrsin, um dos palestrantes do evento, o tabagismo é uma das questões mais relevantes quando o assunto é redução de danos de tabaco. Ele explica que o cigarro convencional produz maior toxidade por queimar a nicotina em temperatura muito alta, podendo chegar a 900 °C.

Esse processo é responsável pela formação de fumaça que carrega milhares de substâncias químicas nocivas à saude, como o monóxido de carbono. Já o cigarro eletrônico, chamado de vape, reduz em até 95% a produção dessas substâncias tóxicas, incluindo o monóxido de carbono por não sofrer o processo de combustão. "Por esse motivo existe uma expectativa de que no médio e no longo prazo, o vape produza menos problemas à saúde dos pacientes quando a gente compara com o cigarro comum", ressalta Behrsin.
 
No entanto, o cigarro eletrônico é proibido no Brasil desde 2009, facilitando a oferta e a demanda de produtos com procedência duvidosa, além da falta de uma comunicação clara e transparente para proteger o consumidor. "No vape com sistema aberto, por exemplo, o indivíduo sem conhecimento técnico nenhum pode elaborar uma essência saborizada personalizada e injetar no dispositivo substâncias altamente nocivas à saúde", afirma o médico Carlos Fontes, especialista em anatomia patológica. 

Segundo ele, a proposta da saborização personalizada para o vape de sistema aberto é a responsável pelo surgimento da Evali, sigla em inglês para doença pulmonar associada ao uso do cigarro eletrônico. A lesão foi descrita pela primeira vez, em 2019, pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, órgão de referência dos EUA para a saúde pública).

Os pesquisadores da CDC identificaram soluções como tetraidrocanabinol (THC) e acetato de vitamina E como possíveis causas do surto da doença no país. "O acetato de vitamina E é lipossolúvel. Quando alguns indivíduos vaporizam essa substância ela entra em contato com o alvéolo e destrói a parede alveolar pulmonar do paciente, além de provocar uma pneumonia intersticial alveolar de grave tratamento", explica Fontes.
 
De acordo com dados do CDC, entre o início de 2019 e 18 de fevereiro de 2020, 2.807 hospitalizações e 68 mortes nos 50 estados norte-americanos e territórios foram atribuídas à doença.
 
Casos de Evali no Brasil

No Brasil, como o vape não é regulamentado não há estatísticas a respeito das complicações da Evali. Estimativas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indicam sete casos de Evali no país. Para os médicos, esse número certamente não reflete a realidade, visto que a doença não é de notificação compulsória.

"O que mais me estarrece é assistir profissionais da saúde dizendo a seguinte frase: "eu não quero saber o que é isso. Eu sou contra o tabagismo". O profissional da saúde pode julgar o hábito, não é saudável. Mas não pode julgar o indivíduo que tem o hábito", acredita Alessandra Bastos Soares, ex-diretora da Anvisa. Para ela, falta treinamento para os profissionais de saúde entenderem o que é a Evali e identificar a doença nos pacientes que chegam aos hospitais. "O cigarro eletrônico não é um produto inócuo, não é inofensivo, mas a gente está aqui falando de riscos e danos, então quando comparado com o cigarro convencional tem uma distribuição drástica para entregar a nicotina de riscos e danos. O que mais me estarrece é quando eu vejo as sociedades médicas clamando pela manutenção da proibição do vape no país", finaliza Alessandra.












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