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Hipertensão arterial: 27,9% da população adulta brasileira convive com a doença

A hipertensão arterial é um problema silencioso e atinge 27,9% da população adulta brasileira, segundo levantamento do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgado no ano passado. Em números absolutos, são mais de 30 milhões de pessoas.

Segundo a Pesquisa Vigitel, a frequência de diagnóstico médico de hipertensão arterial foi maior entre mulheres (29,3%) do que entre os homens (26,4%) e constatou-se, ainda, que em ambos os sexos, esta frequência aumentou com a idade.

Dados publicados pelo Ministério da Saúde em maio de 2023 apontaram que a taxa de mortalidade por hipertensão arterial no Brasil atingiu o maior valor dos últimos dez anos, com a ocorrência de 18,7 óbitos por 100 mil habitantes. O levantamento considerou a base de dados final do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) para o ano de 2021.

No mês de abril, o problema ganha maior destaque, com o dia 26 sendo marcado como Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial.

O diagnóstico da hipertensão passa por dois números: 14 por 9. Se ao medir no aparelho a pressão alcançar esses números ou ultrapassá-los, é um sinal de alerta. A pressão alta é o principal fator de risco para complicações graves de saúde, como doenças cardiovasculares, doenças renais crônicas e morte prematura. Também está diretamente ligada a até 60% dos casos de infarto e em 80% dos casos de acidente vascular cerebral (AVC), ressalta o cardiologista e especialista em hipertensão arterial, Dr. Fernando Nobre.

“Entre as principais causas do avanço desse problema está o estilo de vida, com o sedentarismo, má alimentação, excesso de sal, além do sobrepeso e obesidade. Existe também o fator genético, já que a hipertensão pode ser hereditária em até 50% dos casos. A falta de diagnóstico pode levar a sérias complicações”, explica o médico.

O cardiologista comenta que em avaliação realizada, inicialmente, na cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e posteriormente em todo o país, apenas 17% dos entrevistados tinham conhecimento de a hipertensão ser um fator de risco para infarto e AVC.

Mulheres X Homens

Segundo a American Heart Association, os riscos de doenças do coração aumentam para todos com o passar da idade. No entanto, as mulheres, após a menopausa, podem ficar ainda mais vulneráveis, ao perderem a proteção hormonal natural.

“No período da menopausa, os níveis de estrógeno são reduzidos e o coração e vasos sanguíneos ficam mais expostos às alterações que levam a elevação da pressão arterial e de outras doenças cardiovasculares”, fala o cardiologista.

O especialista lembra ainda que, além das alterações hormonais, outro fator importante é o estresse ao qual elas são submetidas todos os dias, com grandes jornadas de trabalho, excesso de responsabilidade e de conciliação de papeis. “Porém, há uma vantagem neste quesito, pois as mulheres costumam ir mais ao médico, o que pode favorecer a prevenção da doença”, salienta.

Crianças e Adolescentes

A hipertensão não poupa essa faixa da população. Embora seja muito menos frequente – 3 a 5% de prevalência – as crianças e adolescentes também são acometidas, fazendo com que a atenção deva ser instituída já nas avaliações dos pediatras.

Hipertensão arterial no mundo

Um em cada três adultos é afetado pela doença no mundo, segundo relatório da OMS (Organização Mundial de Saúde) publicado em 2023 e que destacou os efeitos devastadores da pressão alta, chamado pela entidade de “assassino silencioso”.

De acordo com o documento, quatro em cada cinco pessoas com hipertensão arterial não recebem tratamento adequado e, se os países conseguirem expandir estratégias que possibilitem o controle adequado da pressão, 76 milhões de mortes poderão ser evitadas até 2050.

“A prevenção, a detecção precoce e o tratamento eficaz da hipertensão são algumas das intervenções mais econômicas na área da saúde e precisam ser priorizados na atenção primária, por programas governamentais, nas sociedades médicas e pela própria população”, conclui o Dr. Fernando Nobre.

 












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