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A força propulsora da transição digital na indústria farmacêutica
Rodrigo Alvarez*
A indústria farmacêutica global enfrenta um cenário de transformações intensas impulsionado pelo envelhecimento populacional, a crescente demanda por tratamentos personalizados, a necessidade urgente de acelerar o desenvolvimento de medicamentos e a busca incessante por sustentabilidade. Neste contexto desafiador, é interessante que o setor transite para uma operação mais digital, eficiente e sustentável, de modo a encurtar o caminho dos medicamentos do laboratório até o paciente. A capacidade de integrar soluções tecnológicas de ponta a ponta, que contemplem desde o desenvolvimento de novos medicamentos à produção em escala industrial de forma mais ágil, é um fator crucial.
E digo isso com propriedade, pois esta abordagem integral, de fato, permite acelerar significativamente o processo, visando reduzir o tempo que um novo medicamento chega ao mercado. O que poderia levar 10 anos, como no caso das vacinas na época da Covid-19, com o avanço no uso de tecnologias integradas foi possível em muito menos tempo. Estabelecer uma visão de Empresa Digital Sustentável que integra os mundos físico e digital, conectando todas as etapas da produção em um fluxo contínuo de dados, faz a diferença.
Hoje, tecnologias de ponta, como os Gêmeos Digitais e a Inteligência Artificial Industrial, possibilitam simulações que diminuem drasticamente os tempos de pesquisa e experimentação, substituindo testes físicos por processos computacionais mais rápidos. É impressionante como o uso de dados e automação modular contribui para criar e escalar receitas com agilidade, tornando a produção mais inteligente e flexível. Indústrias farmacêuticas que utilizam as soluções da empresa para o desenvolvimento de novos produtos e transferência de tecnologia podem alcançar resultados expressivos, como: redução de até 50% no time-to-market, diminuição de 35% nos custos totais, 80% menos uso de material no desenvolvimento e uma economia estimada em US$ 1 milhão no processo de desenvolvimento. Além disso, o número de experimentos físicos pode ser reduzido em 25%, com mais de 3.000 simulações virtuais garantindo a qualidade do produto final.
Para uma gestão abrangente e eficaz, é imperativo que as soluções integrem software e hardware, assegurando que o sistema operacional atue diretamente conectado aos equipamentos de produção e gerencie todo o processo. E tão importante quanto esta oferta são também as tecnologias projetadas para interoperabilidade, o que significa que seus softwares se comunicam com hardwares de outras empresas (inclusive concorrentes) e vice-versa, facilitando a integração vertical.
No desenvolvimento de medicamentos, a otimização do tempo é notável com os Gêmeos Digitais, uma vez que as simulações aceleram as fases de P&D. Já na produção, a eliminação do papel, por meio de soluções paperless, agiliza processos, ao automatizar a documentação e o controle, liberando as indústrias da morosidade e do acúmulo de pilhas de papel que precisam ser guardadas por até 10 anos em ambientes controlados. Isso não apenas otimiza tempo e espaço físico, mas também reduz custos operacionais, incluindo consumo de energia e, ao mesmo tempo, a diminuição da pegada de carbono.
Na área de produção, a digitalização também gera melhorias de até 50% de aumento na produtividade e na redução de desvios na produção; até 20% de redução no lead time; até 40% de aumento na capacidade da planta e de até 15% de redução no custo do processo.
Complementando essa robustez tecnológica, o grande diferencial, no momento, é inserir a Inteligência Artificial (IA) em todo esse processo. Sobretudo em ambientes mais exigentes em escala, como na indústria farmacêutica, Copilot Industrial baseadas em IA, introduzido desde P&D até a produção, geram vastos benefícios.
O setor farmacêutico brasileiro está embarcando em sua jornada de transformação digital de forma mais acentuada nos últimos três anos, entendendo que a digitalização é um desafio, mas também uma necessidade estratégica. Nesse cenário de amadurecimento, implementar soluções de ponta a ponta é um processo longo e escalonado, permitindo que cada indústria priorize suas necessidades e avance em sua própria velocidade, sempre com a visão completa da digitalização em mente. Este é um avanço crucial para o setor, que busca não apenas ganhos econômicos e de eficiência, mas também um compromisso mais profundo com a saúde pública e a sustentabilidade.
* Rodrigo Alvarez é Head da vertical de Ciências da Vida da Siemens Brasil.
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