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A Vida Está no Ar: Campanha da SBPT reforça o cuidado com a saúde pulmonar
Enquanto as infecções respiratórias preveníveis por vacinas, como gripe e VSR, recebem ampla atenção em campanhas de imunização, outras doenças respiratórias crônicas, como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), a asma e o câncer de pulmão, seguem crescendo de forma silenciosa e, hoje, já provocam mais mortes no Brasil do que a própria gripe.
Segundo dados do DataSUS, essas três condições somadas são responsáveis por mais de 60 mil óbitos anuais, número superior ao de infecções respiratórias imunopreveníveis. Em 2024, o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde registrou 10.950 mortes por complicações associadas à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), grupo que inclui doenças passíveis de prevenção vacinal.
Especialistas alertam que o envelhecimento populacional, o aumento do tabagismo e a piora da qualidade do ar estão entre os fatores que ampliam o número de casos e pressionam o sistema de saúde. Apesar do impacto crescente, as doenças respiratórias crônicas não transmissíveis ainda não têm estratégias robustas de enfrentamento na saúde pública.
Para chamar atenção à importância do tema, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) lançou a campanha nacional A Vida Está no Ar, com o objetivo de ampliar a conscientização da população e pressionar por políticas públicas que contemplem também as doenças respiratórias sem vacina.
A iniciativa pretende reforçar que o cuidado com a saúde pulmonar vai além da vacinação e exige protocolos efetivos para diagnóstico precoce, rastreamento e tratamento de doenças crônicas e do câncer de pulmão. O Brasil tem sido exemplar nas campanhas de vacinação contra doenças respiratórias, como gripe, VSR e covid-19, afirma o pneumologista Ricardo Amorim Corrêa, presidente da SBPT. No entanto, existe uma realidade que está no dia a dia dos médicos e ainda é pouco evidenciada: o impacto das doenças respiratórias que não têm vacina. O diagnóstico tardio ou ausente dessas condições compromete a qualidade de vida da população e tende a sobrecarregar ainda mais o SUS nos próximos anos, completa.
A DPOC e o câncer de pulmão figuram entre as principais causas de morte no país. Asma grave, fibrose pulmonar idiopática, hipertensão arterial pulmonar e outras condições respiratórias raras também representam uma carga significativa de morbimortalidade. Sem ações de prevenção, diagnóstico e manejo adequados, a tendência é de agravamento ao longo da próxima década.
O desafio é silencioso. Ainda não temos um plano estruturado para lidar com esse crescimento. A qualidade de vida da população certamente será afetada se não houver mudanças, alerta Corrêa. A prevenção que temos com doenças imunopreveníveis agora precisa se expandir para as doenças crônicas respiratórias e para o câncer de pulmão. Esse é o novo desafio que se impõe à saúde pública.
A campanha A Vida Está no Ar convida a população a refletir sobre sua saúde respiratória, buscar acompanhamento especializado e valorizar o papel do pneumologista no cuidado integral ao paciente.
Site da campanha: www.sbpt.org.br/avidaestanoar
Referência: Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde vol. 56 nº 6 2025
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